humilhe – Um escravo público

Biografia

O ano era 1970, lá estava eu às 8:40 respirando o ar que todos respiravam. Algumas histórias da minha vó preenchem o vazio desta data até quando me dei por gente. A mais remota lembrança era quando morávamos no fundo de uma casa, onde existia 3 mininas mais velhas e uma senhora. A noite talvez vinha também o marido e pai delas, num lembro. Neste tempo me lembro como o mundo era grande e eu pequeno. Meu pai era um alcóolatra e minha mãe uma esotérica, não sei qual era pior. Mas desta casa fomos morar em Atibaia e me lembro do grande quintal, meus primeiros anos na escola e minha solidão. Brincava de espião, vigiava todos da casa da frente, andava pelo jardim, ou em cima dele, dentro dele, escondido. Difícil era fazer o café da manhã, tudo era alto, queria que minha mãe fizesse, mas parece que ela tinha que cuidar de outra pessoa.

Mudamos de novo, talvez por isso não sei bem o que é ter fortes amizades, mudamos muito durante minha infância, mas era tímido, inteligente, ingênuo, tudo que um adolescente não deve ser. O que mais adorava era voltar no ônibus esperando que as meninas pisassem em meu pé, meu hobby da adolescência. Tinha todas as estratégias, paciência, estava concentrado no meu mundo. Sonhava em ser um pequeno sendo pisado por uma mulher gigante, isso era sexual. Naqueles tempos assistia com afinco o seriado Terra de Gigantes, Viagem ao Fundo do Mar e os grandes seriados japoneses, Spectroman, Ultraseven e Ultraman, ah e He Man também (dá um desconto, eu era criança!!!). O colegial passou e minha virgindade continuava.

Sobrava energia para ficar no armazém do meu tio colocando dadinhos debaixo do tapete, às escondidas, para as pessoas pisarem, e no final do dia recolhia e comia o amacetado. Vivia repondo produtos na sessão de limpeza, na prateleira do fundo era possível agachar e ver os pés de alguma freguesa sem ser notado, comprando molho de tomate ou macarrão. Corria para a casa do meu tio na parte de cima do armazém e debaixo da cama dele observava os pés da minha tia, as vezes debaixo da cama da minha prima, cheguei a ver ela se trocar, ou pelo menos os pés dela, sempre foram lindos, passei muitas horas debaixo da cama deles, a adrenalina era alta, nunca desconfiaram. Sabia onde ficava os calçados da minha tia, era uma caixa enorme, cheio deles dentro do closet, e quais foram usados, para limpar depois, imagine como.

Minha adoração por pés continuava, no cursinho cheguei a me abrir, estava agoniado, achava que por isso nunca poderia ter filho, afinal todos meus amigos falavam, faziam, viviam de sexo e eu não, os filhos das pessoas são feitos via sexo né? rs. Com coragem falei com um professor do cursinho, no fim da aula, e ele me disse de maneira curta e grossa: “Procure um psicólogo.” Só procurei bem mais tarde. Me concentrei nos estudos e deixei isso pra lá.

Passei em várias ótimas universidades e escolhi uma em São Paulo. Ali tudo aconteceu. Perdi a virgindade, a vergonha, mas ainda era um sujeito estranho. Descobri a câmera digital, e os websites. Tirava fotos de pés e montei no Geocities o Sampa Pés, talvez o primeiro site brasileiro dedicados a fotos de pés de mulher. Descobri o BDSM, apanhei, sofri, mas ainda não aceitava minha condição, apesar de hoje saber que não escolhemos certos instintos. Na faculdade implorava massagens chinesas para minhas amigas, aquela que a massagista pisa nas costas das pessoas e massageava (andava mesmo). Morávamos em tres caras e duas garotas no apartamento do alojamento. Claro que as solas e calçados delas ficavam impecavelmente limpos, como os da minha prima e tia, lembram? No apartamento do lado eu podia ver os pés da vizinha, uma maconheira e magricela feia, mas os pés eram lindos, sempre sujos. Do outro lado via os pés das faxineiras do alojamento, era onde elas guardavam as coisas delas, almoçavam. Depois de um tempo conheci o BDSM. Ali o bicho pegava, esperimentei de tudo, era o meu meio, pessoas como eu, mas eu nunca quis estar ali, o desejo vencia minha razão e lá estava eu, e o conflito surgiu mais forte, hora do psicólogo, ou psicóloga. Minha primeira namorada de verdade veio, e a virgindade se foi, mas o máximo que podia era receber a massagem nas costas deitado no chão, beijar os pés dela e usar a imaginação, nada mais, o resto a natureza tomava conta, ou ela mesmo na verdade.

Acabei a faculdade e logo casei. Uma pessoa normal, bonita, mas que tinha potencial para ser o que desejava, uma domme. Errei no julgamento. Descobri mais tarde a armadilha que me envolvi, tarde demais. Na época queria apenas ser normal, mas não sou e nunca serei. Beirando os 40 anos e 15 de casado aqui estou eu, tentando viver um pouco aquilo que realmente sou. Sei que ainda é difícil de me aceitar, das pessoas me aceitarem, ams não escolhemos certas coisas, uma delas é nossa atração sexual, eu entendo os gays, lésbicas, eu entendo também os masoquistas, sou um deles.

5 Respostas

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  1. pati disse, em 10/07/2010 às 20:40

    vc é…………………………………ixi………..nem sei definir

  2. marizeth disse, em 28/02/2011 às 23:29

    Vc. quase me fez chorar ….. !!!!!!!!!!!

  3. Dani disse, em 07/06/2011 às 23:00

    Você é uma pessoa totalmente serva de suas rainhas….
    Isso aqui é muito bom….

  4. michelle disse, em 22/11/2011 às 07:07

    Seria bom que todas mulheres pudessem ter o seu próprio escravo e deixar de fazer os afazeres domésticos , você me parece ser mil e um utilidades. Mas, suas atualizações são lentas..


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